PONTE HERCILIO LUZ E SUA RESTAURAÇÃO

PONTE HERCILIO LUZ E SUA RESTAURAÇÃO

 

De 2006 até agora foram gastos 77,2 milhões. Até a sua recuperação mais 170 milhões.

Vamos lá, nem Floripa, nem o Estado podem rasgar o dinheiro que estão rasgando para recuperar a Ponte Hercílio Luz. Antes permitam que lhes informe que tenho alguma noção acadêmica (fiz História) de antropologia cultural, de sítios arqueológicos, monumentos, tombamentos e tudo o que mais possa representar um símbolo como a H. Luz.  Tecnicamente, não há nada a ser preservado. É uma ponte de ferro, como centenas que existem pelo mundo e que aos poucos vão sendo demolidas. São bons exemplos de engenharia do inicio do século passado, só isso. O avanço da tecnologia nos deus outros modelos de pontes, modernas, práticas e seguras. De ressaltar que a Ponte Hercílio Luz, não é segura, esta embargada, exatamente, pela insegurança que oferece.

A Torre Eiffel localizada em Paris é o edifício mais alto de Paris e o monumento mais visitado do mundo. O projetista, o engenheiro Gustave Eiffel, empresta o nome e ela foi construída em 1889 para recepcionar os visitantes na famosa Exposição Universal de 1889

Dia desses deram-me como argumento – pergunte a um Frances se ele quer demolir a Torre Eiffel? Indaguei quantas torres Eiffel você conhece e naquelas proporções? Pergunte a um inglês se deseja demolir a torre do Big-Ben, construída em 1859. Claro que não, quantas torres com aquele formato existem e prestando os mesmos serviços há exatos 153 anos? Nenhuma.

Faça o mesmo com a Ponte da Baía de Sydney construída em 1932 (83 anos em 2014), com seus 1149 m, já

A torre do Big Ben, é onde se localiza o famoso sino de 13 toneladas que toca de hora em hora. Curiosidades: 1. Foi instalado durante a gestão de sir Benjamin Hall, um sujeito corpulento de apelido Big Bem; 2. Em 1956 tocou 56 vezes (minuto em minuto)durante os funerais de George VI; Em 26 de junho de 2012 foi anunciado que a Torre do Big Bem se chamaria Elizabeth II pelos seus 60 anos de reinado.

foi a estrutura de ferro mais alta do mundo e também a mais larga, permitindo a travessia rodoviária, ferroviária e de pedestres. Sempre bem conservada nunca parou desde a sua fundação. Os australianos não hesitariam um segundo em demoli-la se não prestasse os relevantes serviços que oferece.

Localizada em S. Francisco (California/USA) tem vão livre de 1.280 metros, cumprimento total de 2.737 metros, largura de 27 metros, altura máxima de 227 metros, transporta 100 mil veículos/dia, construída em 1933.

A Golden Gate Bridge, é que mais se parece com a Hercílio Luz, tem a mesma concepção. É a ponte localizada no Estado da Califórnia que liga São Francisco a Sausalito. É um cartão postal da cidade e considerada uma das sete maravilhas da Engenharia mundial. Foi construída entre 1933 a 1937 pelo engenheiro alemão Joseph Strauss. De lá até esta data nunca parou, embora tivesse que ter suas operações suspensas pelos fortes ventos em 1951, 1982, 1996, e 2005. Mas convenhamos se não prestasse os bons serviços que presta já teria vindo abaixo.

Um símbolo da cidade há que ter relevância histórica, artística, patrimonial, autoria reconhecida e no caso da ponte, utilidade.  Nada disto esta presente. Para muitos a Ponte remete a um passado menos glamoroso, simples, reminiscências alegres, vividas sobre o seu leito, que o tempo teima em não apagar. Neste quadro de lembranças é difícil reconhecer o seu fim.

 

Muitos atribuem o reconhecimento da cidade à Ponte. Ledo engano, somos reconhecidos mais pelas nossas belezas naturais, a Lagoa da Conceição, nossas ostras, nossa cordialidade, nosso IDH, do que por um conjunto de ferro oxidado prestes a cair.

A se entender a Ponte como um bem “ histórico, artístico, patrimonial”, mas sem utilidade,  é como se daqui a 50 anos alguém quisesse tombar as pontes Colombo Salles ou a Pedro Ivo porque representaram “uma época”. Devemos, por óbvio conservar alguns “sítios” como o marco zero da cidade, um sitio como o Ribeirão da Ilha que nos dá uma clareza como começou a cidade.

Aqui em Floripa, se a casa pertenceu a alguma autoridade, se lembrar toscamente um período de arte Barroco, Rococó, Romantismo, Modernismo,  etc. tombam, se há alguma mangueira vão lá e tombam. De ressaltar que mangueiras são “fícus” há mais de 755 espécies e ninguém sabe porque, são tombadas. Conheço casos que para construir um prédio a arquitetura teve que ser adaptada pela presença no terreno de três mangueiras tombadas.

Sobre a Ponte Hercílio Luz, para não ser radical concedo a hipótese de ser mantida, mas, totalmente, nova. Afinal qual a diferença entre o mesmo material e outro, oxidado? Em outras palavras, se em 1926 se conseguiu fazer a ponte então que se derrube tudo (“tá” tudo enferrujado) e se comece um nova. Fazer o que estão fazendo, é coisa de profissional esperto junto com burocratas parvos e arrogantes que enxergam “cultura” em qualquer trapo velho que encontram pela cidade, entre eles, a Ponte.

PONTE HERCILIO LUZ E A LEI ROUANET (Atualizado em 18/2/2014)

O projeto de recuperação da Ponte Hercilio Luz para efeitos da lei Rouanet foi cadastrado no Ministério da Cultura em novembro de 2011 e prevê a captação de 64,5 milhões para a primeira etapa da restauração do vão central da Ponte Hercílio Luz. Empresas Jurídicas e físicas podem participar. O custo total do projeto passa de R$ 170 milhões.  Passados quase 3 anos os resultados são pífios: duas empresas estatais, CELESC e CASAN aportaram R$1.071.395,04, Grupo RBS e empresas associadas R$392.880,04; 3 empresas privadas R$706.846,01, finalmente 9 pessoas físicas R$920,00, juntas perfazendo R$2.172.041,09

 


Dilvo Tirloni

Sou Administrador concluí meus estudos de ensino fundamental na cidade de Nova Trento. Os estudos de ensino Médio foram concluídos na cidade de Brusque, no Colégio São Luiz e Consul Carlos Renaux. Sou bacharel em  História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Simultaneamente, cursei Administração na Escola Superior de Administração e Gerência (ESAG). Nesta escola fui contemplado com medalha pelos méritos acadêmicos vindo, então, a ser convidado para cursar o Pós Graduação, nível de mestrado, na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Concluído o curso de pós-graduação ingressei como professor titular na UDESC/ESAG atuando na área de Administração Financeira e Mercado de Capitais.

Profissional

Professor primário, secundário e universitário. Técnico em Desenvolvimento Econômico do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), especialista em projetos de financiamentos e investimentos, executivo fundador do antigo CEAG/SC, hoje, SEBRAE, Consultor de atividades  empresariais. Presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis – ACIF entre 13/05/2005 a 13/05/2009 (4 anos com reeleição) e presidente do Conselheiro do Conselho Superior 2009/2011. Conselheiro do Sapiens Park, Conselheiro do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Conselheiro do Conselho Municipal do Saneamento Básico.

Pensamento Político

A história nos ensinou que o melhor caminho para as sociedades é o Liberalismo (Locke) representado por um  conjunto de princípios  baseados na defesa da propriedade privada, liberdade econômica (mercado livre),  liberdade política (vários partidos), liberdade religiosa, mínima participação do Estado na economia mas forte na aplicação da lei, igualdade dos cidadãos perante a lei, livre manifestação do pensamento e expressão.

Publicações

Inúmeros artigos publicados nos jornais de Florianópolis. Coordenou e escreveu os seguintes livros: Prefeitura Municipal de Florianópolis 2004; Novo Modelo Institucional Água e Saneamento, 2006, SC2010, projeto sobre Governo Estadual, 2007; Reforma Tributária Nacional 2008; PMF2012 Reforma Administrativa da Prefeitura Municipal de Florianópolis. Bacias Hidrográficas de Florianópolis, 2008.

4 COMMENTS
  • Rodrigo
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    Dilvo, talvez essa tenha sido a solução mais sensata que ouvi até hoje em Florianópolis. Sou um defensor da ponte, considero ela um cartão postal da cidade e patrimônio histórico. Mas desmontá-la e recriar outra igual, através de uma licitação, é uma idéia genial. Continuariamos com a nossa “Golden Gate”, só que moderna, robusta e funcional. É um desafio para os governos.

    1. dilvo
      Responder

      Prezado Rodrigo
      Agradeço a leitura do artigo. Eu nunca entendi a “reforma” de um amontoado de ferro oxidado, quando muito mais simples, usando o mesmo material, fazer uma nova. Além de mais barato e rápido, a tal “referencia histórica” que levou ao tombamento, também sairia ganhando. É bom a gente não contar isso aos portugueses (Lá eles também tem uma ponte igual a nossa) porque, cenrtamente, a piada estará do lado deles.

  • Pedro
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    Ola boa a tarde,suas materias são de grandes valores, porque traz em si uma forma de expressão tão facil, que qualquer pesssoa que procure algo e encontrei no seu blog, ficara bem informado, eu tenho uma duvida, será que existe ainda os projetos da Ponte Herlicio Luz, se ele e exposto para quem quiser vê-lo?

    1. dilvo
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      Prezado Pedro, embora tarde vou responder a indagação: as plantas existem só não sei onde. Vou dar dicas 1. Procurar na biblioteca pública; 2. nos arquivos da Prefeitura municipal, lá existe um local para isso; 3. no DETER que é um órgão estadual; no próprio CREA ou na ACE associação dos engenheiros. Forte abraço e obrigado por acessar o blog.

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