APP  – AS ENCOSTAS DE NOSSOS MORROS

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Amigos e amigas de Floripa

Quando falamos de Áreas de Preservação Permanente vêm à nossa mente as faixas marginais de qualquer curso d’água, seu leito, e as ocupações clandestinas.

Estes espaços, todavia são muito mais amplos. O Código Florestal que muitos acham que se aplica só “no meio rural” é rigoroso com as encostas de nossos morros. Tudo o que estiver acima da declividade de 45% deverá ser protegido 100%.

Ao seguir pela Avenida Vergílio Várzea, atrás do Floripa Shopping, à noite, pode-se ter a extensão do dano ambiental ali provocado. Tudo foi invadido e com o beneplácito das autoridades locais. A Prefeitura recepciona IPTU, a CASAN liga a água e a CELESC fornece a luz. É um caso especifico de “operação política a seis mãos” onde vários segmentos tiram vantagem, e à cidade resta gerenciar os abusos. “Isto é uma vergonha” no dizer de Boris Casoy.

Quem examinar as fotos do Rio de Janeiro da década de 1950 jamais imaginária as atuais favelas naqueles espaços verdes que a cidade exibia. Toda a Zona Sul carioca era de puro verde. Hoje grassam as favelas e o crime organizado. Olhando as encostas da Avenida citada não guardo nenhuma dúvida que caminhamos para o mesmo destino.

Mas os problemas não são pontuais, são generalizados. O Morro do Mosquito à direita de quem vai para Ingleses, um pouco antes de subir o morro da SC403, funciona todo vapor uma “nova comunidade” com seus criminosos empunhando fuzis  AR15. As encostas do Saco dos Limões, da Costeira, entre outras também já conseguem boas fotos da devastação ambiental.

A que se deve tudo isso?

Guardo convicção que é pura incúria administrativa cuja origem reside na aceitação de um Plano Diretor estúpido (o anterior também já o era, não com tantos equívocos como o atual) que querendo proteger tudo, não protege nada. Vale ressaltar que o Código Florestal (CF) em 2006 inexistia, ele só veio aparecer em 2012. Em vez de adotá-lo, o PD resolveu inovar, criou as suas próprias métricas, muitas afrontando o próprio Código. É o caso de APL (áreas de preservação limitada) expressão inexistente na lei. Ou é ou não é APP, APL, é uma jabuticaba local.

Tendo o CF como documento básico de proteção, permitindo-se a ocupação dos espaços que não proíbe,  rompida as amarras do PD, as limitações impostos aos investidores,  permitindo a verticalidade em todos os distritos da Ilha, incentivando as operações consorciadas, é possível salvar a Ilha. Só o desenvolvimento econômico (investimentos) é capaz disso, gerando mais renda e empregos. Vale lembrar que um Programa de Habitação Popular tocado pela Prefeitura é inaceitável, quem deve fazer isso é a iniciativa privada. São as PPPs (parcerias público privadas) que mudariam o cenário da cidade num período de 30 anos ou então, o abismo, já “avistável” no horizonte.

Quando vejo o Hotel Il Campanário sendo vítima de uma ação do MPF por “ter cometido crime ambiental” dá para parafrasear Rui Barbosa “ de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças” de se perguntar de um dia chegaremos a um porto seguro onde prevaleça a racionalidade, o bom senso.

Sempre há esperanças.


Dilvo Tirloni

Sou Administrador concluí meus estudos de ensino fundamental na cidade de Nova Trento. Os estudos de ensino Médio foram concluídos na cidade de Brusque, no Colégio São Luiz e Consul Carlos Renaux. Sou bacharel em  História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Simultaneamente, cursei Administração na Escola Superior de Administração e Gerência (ESAG). Nesta escola fui contemplado com medalha pelos méritos acadêmicos vindo, então, a ser convidado para cursar o Pós Graduação, nível de mestrado, na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. Concluído o curso de pós-graduação ingressei como professor titular na UDESC/ESAG atuando na área de Administração Financeira e Mercado de Capitais.

Profissional

Professor primário, secundário e universitário. Técnico em Desenvolvimento Econômico do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), especialista em projetos de financiamentos e investimentos, executivo fundador do antigo CEAG/SC, hoje, SEBRAE, Consultor de atividades  empresariais. Presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis – ACIF entre 13/05/2005 a 13/05/2009 (4 anos com reeleição) e presidente do Conselheiro do Conselho Superior 2009/2011. Conselheiro do Sapiens Park, Conselheiro do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Conselheiro do Conselho Municipal do Saneamento Básico.

Pensamento Político

A história nos ensinou que o melhor caminho para as sociedades é o Liberalismo (Locke) representado por um  conjunto de princípios  baseados na defesa da propriedade privada, liberdade econômica (mercado livre),  liberdade política (vários partidos), liberdade religiosa, mínima participação do Estado na economia mas forte na aplicação da lei, igualdade dos cidadãos perante a lei, livre manifestação do pensamento e expressão.

Publicações

Inúmeros artigos publicados nos jornais de Florianópolis. Coordenou e escreveu os seguintes livros: Prefeitura Municipal de Florianópolis 2004; Novo Modelo Institucional Água e Saneamento, 2006, SC2010, projeto sobre Governo Estadual, 2007; Reforma Tributária Nacional 2008; PMF2012 Reforma Administrativa da Prefeitura Municipal de Florianópolis. Bacias Hidrográficas de Florianópolis, 2008.

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